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LEGADO ESQUECIDO: DEZ ANOS DEPOIS DE PEQUIM 2008, INSTALAÇÕES OLÍMPICAS ESTÃO ABANDONADAS

Pista de Motocross Laoshan, sede do ciclismo BMX em Pequim 2008 (Foto: GREG BAKER / AFP)
O cenário é triste e inapelável. Estruturas olímpicas erguidas para celebrar o maior evento esportivo do planeta, agora definham em estado de completo abandono. Dez anos depois de receber os Jogos de 2008, Pequim, a capital chinesa, apresenta uma herança olímpica bastante comprometida. Instalações construídas para receber as Olimpíadas e turbinar o desenvolvimento do esporte no país estão mergulhadas em completo esquecimento.

Embora o Ninho de Pássaro e o Cubo D'água continuem sendo aproveitados, instalações secundárias como a arena do vôlei de praia, a pista de BMX e o Parque Olímpico Shunyi - casa da canoagem naquela edição olímpica - sofrem com falta de manutenção por parte das autoridades chinesas. Nesses locais de competição, pictogramas que apresentam as modalidades estão tomados pela ferrugem, assim como a maior parte das estruturas internas.

Em uma área nas imediações da vila olímpica, esculturas dos mascotes estão esquecidas em meio a um matagal que cresce sem controle algum. Fruto da falta de planejamento, esse cenário assustador não é exclusividade chinesa. Após 2004, Atenas vivenciou realidade semelhante, assim como o Parque Olímpico do Rio de Janeiro meses depois de abrir as portas para o mundo em 2016.

Entrada da Arena Chao Yang Park, casa do vôlei de praia nos Jogos de 2008 (Foto: GREG BAKER / AFP)
Com investimento recorde de US$ 43 bilhões, a China recebeu a 29ª edição dos Jogos Olímpicos precisamente às 8 horas, 8 minutos e 8 segundos do dia 8 do mês 8 do ano de 2008. Obviamente o culto ao número 8 não foi mero acaso. É um número que para a cultura chinesa significa sorte, prosperidade. De fato, a chegada das Olimpíadas internacionalizou a cidade, a dotando de melhor infraestrutura viária. Os Jogos anunciaram uma "nova China", moderna e tecnológica. Cinco novas linhas de metrô foram inauguradas em Pequim. O conceito de prosperidade, no entanto, parou nesse aspecto. Nas chamadas venues menos badaladas que o Ninho de Pássaro e o Cubo d'Água, a realidade de sucateamento impressiona.

Arena do vôlei de praia, pista de ciclismo e parque de canoagem: às traças e ferrugens
Uma década depois de os brasileiros Márcio Araújo e Fábio Luiz, e Ricardo e Emanuel conquistarem prata e bronze respectivamente, a Arena Chao Yang Park, casa do vôlei de praia naquela edição olímpica, apresenta estruturas comprometidas pela ferrugem. Um grande volume de madeira podre se acumula sobre parte das arquibancadas.

Arena Chao Yang Park, sede do vôlei de praia nos Jogos Olímpicos de Pequim (Foto: GREG BAKER / AFP)
Como prova irrefutável da inutilização do espaço, plantas crescem à beira da quadra.

Arena Chao Yang Park, sede do vôlei de praia nos Jogos Olímpicos de Pequim (Foto: GREG BAKER / AFP)
No local onde foram disputadas as provas do ciclismo BMX, o cenário chega a ser ainda pior. Um matagal sem controle já toma a maior parte da instalação. Em julho, agricultores foram flagrados cultivando vegetais na altura da linha de chegada da pista.

Pista de Motocross Laoshan, sede das provas de ciclismo BMX nos Jogos Olímpicos de Pequim (Foto: GREG BAKER / AFP)
De tão impressionante, o cenário de descaso remete a Pripyat, cidade fantasma ucraniana próxima a Chernobil, lugar onde ocorreu o maior acidente nuclear da história.

Pista de Motocross Laoshan, sede das provas de ciclismo BMX nos Jogos Olímpicos de Pequim (Foto: GREG BAKER / AFP)
Já o Parque Olímpico Shunyi, que recebeu as provas de canoagem e caiaque, apresenta um completo estado de abandono. No lugar das corredeiras, muita água suja e parada.

Parque Olímpico Shunyi, sede da canoagem nos Jogos Olímpicos de Pequim (Foto: GREG BAKER / AFP)
Na entrada da instalação, o pictograma criado para representar a modalidade está tomado pela ferrugem.

Parque Olímpico Shunyi, sede da canoagem nos Jogos Olímpicos de Pequim (Foto: GREG BAKER / AFP)
Cemitério de mascotes

Nem a figura dos mascotes se salvou do esquecimento. Uma área localizada nos fundos de um shopping center inabacado nas imediações da vila olímpica, se tornou uma espécie de depósito de mascotes. Na última segunda-feira, ao retratar a situação, o jornal britânico Daily Mailapelidou o local de "cemitério de mascotes".

Estátuas de mascotes olímpicos abandonados em meio à mata que tomou a vila olímpica (Foto: GREG BAKER / AFP)
Ninho de Pássaro e Cubo d'Água imunes ao descaso, porém... subutilizados

As duas grandes estrelas dos Jogos Olímpicos de Pequim, apesar do triste cenário encontrado nas zonas secundárias, se mantêm firmes e imunes ao esquecimento. Na região central da capital chinesa, o Estádio Nacional de Pequim, conhecido como "Ninho de Pássaro" e erguido ao custo de US$ 471 milhões, tem recebido poucas competições se comparado ao Maracanã ou ao Estádio Olímpico de Londres. No entanto, o local se sustenta por ser atração turística e palco de shows e espetáculos. Chamado de "Cubo d'Água", o Centro Aquático Nacional de Pequim, por sua vez, também se mostra atraente aos olhos dos turistas, além de ocasionalmente receber competições de natação e saltos ornamentais. Em 2008, nada menos que 25 recordes mundiais foram quebrados na instalação. Um ano depois, o Cubo D'Água foi fechado para uma reforma parcial, em que um trecho transformou-se em parque aquático aberto ao público. Durante os Jogos de Inverno de 2022, o Cubo abrigará as competições de curling.

Show de comemoração pelos 10 anos do Ninho de Pássaro (Foto: GREG BAKER / AFP)
Exposição no Ninho de Pássaro e Jogos de Inverno 2022

Em 2022, Pequim será novamente sede de uma edição olímpica. Dessa vez, receberá os Jogos de Inverno, e irá utilizar algumas das instalações construídas em 2008. O Estádio Nacional, com capacidade para 91 mil pessoas, receberá as cerimônias de abertura e encerramento. A capital chinesa se tornará a primeira cidade a sediar tanto os Jogos de Verão, quanto os de Inverno.

Aparentemente alheio ao descaso pelo abandono em relação às instalações secundárias, o Centro Cultural do Estádio Nacional organizará uma exposição com a temática olímpica, intitulada "De 2008 a 2022: o espírito olímpico em movimento". Estarão disponíveis ao público, fotos, documentos, vídeos e dispositivos interativos. Ironicamente, a primeira das quatro sessões da exposição, chamada de "Estádio, passado e futuro", pretende abordar a importância das instalações olímpicas nos anos seguintes aos Jogos de 2008. Uma outra sessão irá apresentar o projeto para 2022.

À época da abertura dos Jogos, em 2008, economistas estimaram que seriam necessários cerca de 30 anos para que todos os gastos do evento fossem pagos recuperados. Sem a menos dúvida, as péssimas condições de boa parte das instalações tornam essa projeção ainda mais dolorosa.


Fonte: Globo Esportes

Por tv web 2

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