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A despeito de qualquer crise, até de condições financeiras, estrutura física ou qualquer que seja a condição, os barreirenses saíram às ruas para brincarem o Carnaval 2017. 

Muita gente bonita na rua, muita alegria e principalmente muita paz. Demonstrando que essa tradicional festa esperada por muitos e evitada por poucos acontece independentemente da interferência de poderes maiores.

A vontade popular de esquecer por alguns dias tantas dificuldades faz do Carnaval uma válvula de escape. O povo invade as ruas e estabelece sua própria ordem de valores.

A tradição do Bloco Netos de Momo parece ser o carro chefe que leva para as ruas tanto o saudosismo de muitos acompanhados pela alegria dos mais jovens e mais irreverentes. São pessoas que se cumprimentam se abraçam e se beijam, porque se conhecem e cumprem o compromisso cultural de se encontrarem pelo menos um dia do ano onde as incertezas da vida são por momentos esquecidas. 

Crianças, velhos e moços invadem as ruas, com suas fantasias, com suas alegrias, críticas e irreverencias. Ali não existem desavenças, violência ou discussões. Por inúmeros anos passados o bloco desfila nas ruas em harmonia, alegria e paz. 

Embora tudo termine na quarta-feira e a realidade da vida se apresente das formas mais diversas, sempre vale a pena esperar por mais um Carnaval. Sentir que por alguns dias de fugaz alegria as adversidades da vida, fruto de nossas próprias escolhas ou pela imposição dos mais poderosos, vai ser por alguns dias esquecida. 

Não se pode explicar com exatidão o que o Carnaval representa para cada pessoa. Principalmente pelos que adotaram a “baianidade” nas origens ou os que aqui chegaram para se deixarem levar por ela. O fato é por mais que o povo esteja oprimido, com mais força e determinação vive os momentos do período “momesco”. 

Quando então as ruas se esvaziam na quarta-feira demonstrando os restos da festa pelo chão onde nos ouvidos ainda ressoa resíduos de alguns sons estridentes é que o folião percebe que chega o momento de enfrentar a realidade. 

Essa dura realidade de cumprir compromissos, de voltar ao trabalho, de enfrentar consequências e de viver uma vida cada dia mais atribulada. De voltar à escola e de começar outro ano letivo. 

É então na quarta-feira, das latas vazias que algum apanhador esqueceu que o bloco da limpeza pública invade as ruas quase desertas. O Pierrot vira médico ou veste o macacão de operário, a Colombina vira professora, ou doméstica encara o fogão e o sonho da princesa ou da bailarina, se esvai na imagem do espelho de uma realidade. 

A vida retorna ao seu curso normal, com todas as suas anormalidades de sempre, porque hoje é quinta-feira e o pesadelo da quarta já terminou.

A crônica de hoje é dedicada a professora Deusa, e aos profissionais da área de educação na dura tarefa de ensinar e levar aos jovens a luz do conhecimento. 

Colunista Guto de Paula / Tv Web Barreiras.

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