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Por Coriolano Xavier, Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM. 

O desperdício de alimentos parece uma endemia da modernidade. Os Estados Unidos, por exemplo, estavam jogando no lixo ou largando pelo caminho cerca de 40% dos alimentos, considerando-se o ciclo da fazenda ao garfo.¹ No Brasil, fala-se em desperdício alimentar de 20 a 30%. O desperdício em si já é uma questão moral, pois subtrai parcela do direito a vida de milhares de famintos que habitam o planeta. Mas o nosso foco, aqui neste comentário, é o problema que isso representa, enquanto fator gerador de lixo.

Mas não fica nisso, pois além da enorme quantidade desperdiçada de alimentos, temos ainda o gigantesco volume de embalagens e componentes utilizados para a comercialização dos produtos, que precisa ser regularmente descartado. Quando essa imensidão de lixo vai para aterros sanitários, tudo bem. Mas boa parte nem aí chega e tem destinação inadequada em rios, lagos, mar e outros locais, gerando impactos negativos sobre o ambiente e a qualidade de vida das pessoas.

Em nosso país, ainda não há estrutura suficiente para coleta seletiva e reciclagem de lixo. Nem em cidades pequenas, com um desafio de lixo menor, nem na maioria das cidades de maior porte, pelo Brasil afora. Às vezes, até já existem processos organizados de coleta seletiva; mas é comum encontrar um descompasso entre eles e os investimentos necessários para a industrialização do lixo, quebrando assim a corrente da eficiência na reciclagem.

Um dos caminhos para mudar essa realidade está no voto, buscando o comprometimento de partidos, governos e candidatos com políticas que construam uma urbanidade mais sustentável. Agora mesmo teremos uma grande rodada de eleições municipais, que é uma oportunidade para se debater e alertar as pessoas sobre a importância de plataformas políticas com proposições para ganhos de qualidade ambiental no dia a dia das cidades.

Em sustentabilidade, o homem é o que mais conta. Seja como beneficiário, seja como agente. Antes de ficar esperando por políticas públicas, ou torcendo pela evolução dos pressupostos da chamada economia verde (ainda germinando), temos que tomar partido e mudar visões em prol de cidades e estilos de vida mais harmonizados com o ambiente e a conservação de recursos.

Isso implica em revisar os próprios hábitos, é claro. Mas também significa revisar crenças, ideologias e critérios de escolhas políticas. Significa participar mais das discussões sobre a realidade em que se vive, conhecer melhor as plataformas de gestão pública dos partidos ou candidatos e, por fim, também votar na sustentabilidade.

Não importa se a proposta for modesta, limitada no seu alcance, e representar um avanço pequeno na direção de um mundo melhor. O ponto é outro e tem a ver com atitude: se os problemas existem, alguma coisa tem que ser feita. É isso que nos torna uma humanidade. Com um detalhe: nosso horizonte não é hoje, ou o ano que vem, mas sim os 9 bilhões de seres humanos que habitarão o planeta, em cerca de 30 anos.

** Diagnóstico encontrado em relatório do NRDC – Natural Resources Defense Council (Conselho de Defesa dos Recursos Naturais)

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