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21 de jun de 2016

ELEIÇÕES 2016 - TRANSFERÊNCIA DE VOTOS NAS ELEIÇÕES I.

Por Maglon Ribeiro

Consultor em Marketing Político e Pesquisas Eleitorais

O cenário eleitoral marcado por mudanças repentinas e surpreendentes, embora frequentes, apresenta desafios interessantes para analistas do comportamento eleitoral. A transferência de votos é uma das coisas mais difíceis de detectar em marketing eleitoral e de certa forma intrigante, pois muitos candidatos apostam na transferência de votos de uma determinada liderança para que a sua candidatura ganhe corpo e ou até se sair vitorioso.

A coisa funciona mais ou menos assim: Digamos que você vai contratar um profissional para a sua empresa, indicado por outra pessoa comprovadamente um excelente profissional, somente por isso você contrataria o profissional? Acredito que não. Transferência de prestigio, de boa avaliação, de força e coisas deste tipo é algo duvidoso. É comum ouvir recomendações, sobre indivíduos, de pessoas que tem um bom conceito com a gente. É a chamada transferência. Mas isso não é a mesma coisa que transferência de prestigio, isso pressupõe que existam um ou mais argumentos. Isto é, a pessoa indica fornece motivos para que você contrate o indicado, preferencialmente motivos visíveis e concretos.

O que verificamos muitas vezes é que a posição de um candidato é extremamente importante para o desfecho da disputa. A pergunta que se faz é se o eleitorado de” X “está mais próximo do candidato “Y“.A transferência de fato só ocorre de se os eleitores de “X’ dono do “cacife eleitoral” tiverem afinidade com os eleitores do candidato Y , que se pretende apoiar. O eleitores do líder político ou patrono “X” , independente do apoio ao candidato, podem decidir por votar no candidato por já haver um propensão para o candidato “Y”.

Pesquisas mostram que o eleitor que transfere o seu voto possui uma forte identificação com a candidatura que ele se dispõe a votar. Podemos ilustrar um caso clássico em que isso aconteceu, nas eleições presidenciais de 1989, onde os eleitores do governador Brizola, por afinidade ao candidato Lula, manifestou predisposição em votar neste candidato no segundo turno. Brizola simplesmente não antecipou o anuncio de apoio a Lula, mas sim detectou, através de pesquisa, que seus eleitores votariam no candidato do PT independente do apoio.

No processo de transferência de votos numa eleição nós temos a figura do patrono, aquele que detém o cacife eleitoral. Podemos dividir os patronos em três tipos: o familiar, o eleitoral e o social. Os patronos familiar e eleitoral estão fundamentados nos tipos-ideais tradicional e carismático.

Para uma pessoa ser considerada patrono de outra é necessário que ela exerça influência no campo social, ou seja, no eleitor. Uma pessoa que não é bem aceita pelo público dificilmente vai conseguir agregar votos para uma campanha. O patrono precisa ter uma relação próxima com o candidato e manifestar seu apoio a ele publicamente, mostrando ao eleitor que aquele candidato que ele está apoiando é confiável e é também uma boa opção de voto.

O primeiro patrono é o familiar. A função do patrono familiar é mostrar que aquele candidato merece ganhar porque faz parte da família X, principalmente se o ex-governante da família possui boa avaliação de governo pelo povo. Um exemplo é o caso de José Richa, pai de Beto Richa, atual governador do Paraná. É o caso do Sr. Antônio Américo que já elegeu alguns prefeitos no município de Riachão das Neves na região oeste da Bhaia, inclusive seu filho Hamilton, atual prefeito de Riachão.

O patrono eleitoral é como chamamos o segundo tipo de patrono. Ele se difere do patrono tradicional porque não possui nenhum vínculo de parentesco com o candidato que está apadrinhando, tampouco possui apenas relevância social, como é o caso patrono social que veremos a seguir. O patrono político é aquele que representa a classe política em favor de determinado candidato, mas sem ter vínculos familiares com ele.

Patrono social: Diferentemente do patrono familiar, o patrono social não possui nenhum vínculo de parentesco com o candidato, nem vínculo permanente com a política. Pelo contrário, ele é uma figura que possui total autonomia em relação ao candidato, mas mesmo assim procura ajudá-lo na construção de sua imagem na campanha. A característica principal do patrono social é que ele possui prestígio frente à sociedade; é respeitado e ocupa uma posição de destaque. Esse tipo de figura está cada vez mais presente em campanhas eleitorais, é aquele que faz articulações para angariar votos. O patrono social é um líder que possa vir a interferir de forma positiva na campanha principalmente pelo seu prestígio frente aos cidadãos, mas deve mostrar ao povo que aquele é o seu candidato, que ele confia.

Para que um político possa fazer uma campanha eficaz para outro candidato é necessário que ele possua uma qualidade pessoal que o destaque dos demais: o carisma, deve ser uma pessoa com trajetória política, que ele já tenha ocupado um cargo de destaque dentro do espaço em disputa para ser conhecido da população, afinal, não adianta utilizar da estratégia do patrono caso ele não possua relevância política. A avaliação positiva que figuras políticas possuem tende a garantir maior poder dentro do cenário político. E esse poder conquistado e adquirido por um governante pode beneficiar outros, como aconteceu com a figura de Dilma Rousseff (PT), que teve a construção de sua imagem pública associada à do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Então, a rigor, o que é chamado corriqueiramente de “ transferência de votos” de um político para outro é , na verdade, uma afinidade entre os seus eleitores. Quando um político apoia um candidato e quando o eleitorado de ambos tem afinidade, deve-se esperar que o candidato apoiado se fortaleça.



maglonribeiro@gmail.com

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