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Proprietários de chácaras às margens do rio de Ondas e moradores de Barreiras, Oeste da Bahia, procuraram nossa redação para alertar o baixo volume de água no rio. Eles afirmam que nunca viram o rio de Ondas tão baixo, e a preocupação surgiu após eles perceberem o afloramento de pedras, até então nunca vistas.

Dados registrados em 1972 pela Companhia de Desenvolvimentos dos Vales do São Francisco e Parnaiba (Codevasf), quando se chamava Sulvale, indicam que os rios do Oeste da Bahia já tiveram seus volumes reduzidos em decorrência de estiagem na região. Naquele fatídico ano, na unidade de medição da Fazenda Redenção, proximidades do Posto Itabocas, o rio de Ondas registrou no mês de setembro a vazão mínima de 25,2 m³/s, pior resultado até então já registrado no rio que atualmente abastece a cidade de Barreiras e é utilizado como espaço de lazer dos barreirenses e fonte de produção de alimentos irrigados nos gerais. Acontece que em setembro de 2015 a Cia de Pesquisa de Recursos Minerais da Agência Nacional de Águas (ANA), registrou o preocupante número de 23,3 m³/s no mesmo ponto de medição, aproximadamente 2 m³/s a menos do que o pior ano registrado pela Codevasf no inicio da década de 70. Como o período de chuvas na região vai de outubro a maio de cada ano, 2016 foi um dos piores anos já enfrentando pelos agricultores do Oeste da Bahia, com índices pluviométricos em torno de 40% menores que 2015. Com isso pressupõe-se que se nada for feito, o rio de Ondas deverá registrar novo índice negativo de volume de água, comprometendo não só o abastecimento de água potável para a população barreirense, como falta de água para a irrigação no cerrado baiano.



Vários fatores têm colaborado para a redução do nível de água nas inúmeras bacias hidrográficas no Oeste baiano, entre elas podemos ressaltar a forma com que a chuva tem caído na região. Nos últimos quatro anos, anteriores a 2016, as chuvas até se mantiveram próximo da média histórica, mas as precipitações ocorreram em períodos concentrados, dificultando a recarga do lençol freático, principal fonte de abastecimentos dos rios do Cerrado Baiano.

A grande diferença entre o que ocorreu em 1972 e o que se pronuncia em 2016, é que na década de 70, nem o cerrado era utilizado para agricultura de irrigação, bem como as margens do rio de Ondas devastadas por uma infinidade de chácaras, inclusive a maioria das chácaras utilizam as águas do rio de Ondas para consumo animal e irrigação de gramados e pomares. Os órgãos responsáveis pelo uso das águas precisam agir com celeridade para realizarem um amplo levantamento de quanta água é retirada do rio de Ondas, através de rodas d’águas e pequenas bombas elétricas. Atualmente o rio de Ondas, desde sua desembocadura no rio Grande, tem suas duas margens ocupadas por chácaras de lazer, numa extensão aproximada de 50 quilômetros, e embora não seja necessário a outorga de uso da água, é preciso que os proprietários comuniquem o Inema sobre a retirada de água em suas chácaras.

De acordo com José Cizino Lopes, diretor de Águas e Irrigação da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, embora os dados coletados pela Sulvale demonstrem que a região Oeste enfrenta ciclos com problemas de escassez hídrica, a Aiba tem acompanhado de perto a baixa vazão dos rios do Oeste do Estado e tem mobilizado os irrigantes para que façam seus planos agrícolas de irrigação dentro de cada bacia hidrográfica, relativos a safra que se inicia em outubro de 2016. Cizino informou que de 1º de agosto a 1º de outubro de cada ano agrícola, em função do Vazio Sanitário, os irrigantes ficam proibidos utilizarem seus pivôs no plantio de soja, milho, algodão e feijão, sendo permitido apenas o uso de pivôs em lavouras perenes, a exemplo do café. “Nós temos aproximadamente 1.150 pivôs no cerrado baiano, com área de cerca de 126 mil hectares irrigados com soja, milho, algodão, feijão e café, destes, em torno de 250 pivôs irrigam 27 mil hectares utilizando-se das águas da bacia do rio de Ondas, composta pelos rios Borá, de Pedra e de Ondas”, disse Cizino, informando que foi criado um Conselho Gestor para definir a política de uso das águas na região e monitorar as áreas cultivadas com culturas irrigáveis.

Através dos Planos Agrícolas de Irrigação, bacia por bacia, e com a informação de vazão de cada uma delas, é que definiremos o quanto poderá ser utilizado na irrigação. Não adianta plantar todos os pivôs se só tivermos volume de água liberado para plantar a metade”, informou como exemplo o diretor de Águas e Irrigação da Aiba.

Para evitar conflitos pelo uso de água entre sociedade e irrigantes, e entre os próprios irrigantes, como ocorre atualmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que disputam ‘ouro do século 21’: a água, a Aiba está propondo reuniões com os proprietários de pivôs de cada bacia hidrográfica no Oeste da Bahia, para delimitar o plantio e atender as necessidades de cada setor, tanto o da preservação do meio ambiente, como o da segurança alimentar, até que o situação dos níveis de águas volte ao normal.

Fonte: Jornal Nova Fronteira.

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