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21 de fev de 2016

CAMPANHA ELEITORAL: MODELO TRADICIONAL X MODELO MODERNO.

Por Maglon Ribeiro

Consultor político e pesquisas eleitorais.

Este ano serão 5.550 candidatos concorrendo às eleições. Pesquisas revelam um triste prognóstico: 87% dos candidatos que concorrerão as eleições em 2016 não serão eleitos. Em relação aos prefeitos a pesquisa aponta que apenas 22% serão reeleitos. Em 2012 esse índice foi 55% dos que conseguiram se reeleger. Isto basicamente acontecerá, na maioria dos casos, simplesmente, pelos candidatos não fazerem um trabalho orientado, planejado e de forma profissional em suas campanhas. 

Candidatos potencialmente bons de voto, experientes, políticos tradicionais poderão ficar para traz por ainda adotarem modelo tradicional de se fazer campanha eleitoral. No modelo tradicional a campanha é feita muitas vezes por ativistas, cabos eleitorais, voluntários, rede de amigos e familiares do candidato. Principalmente nos cargos legislativos e para o poder executivo de cidades menores. A opinião de cabos eleitorais, a experiência de eleições anteriores, a intuição deixam de lado a função da pesquisa, o processo da construção da estratégia com base em dados, informações e discussões. É ainda um modelo competitivo se todos os que estão na disputa o adotarem. Entretanto, se um dos candidatos adotar o modelo moderno de campanha, o modelo tradicional perde a competitividade.

Uma campanha no modelo tradicional, intuitiva e com base na experiência já é coisa do passado, embora intuição e experiência continuem sendo indispensáveis para o sucesso eleitoral. A campanha, neste caso, é feita pelo volume de ações desconexas, completamente sem direção estratégica, sem uma publicidade uniforme, sem um foco objetivo, sendo o candidato obrigado a diversificar os meios que terá que utilizar para alcançar e convencer os eleitores que: o rejeitam ou optaram por seus concorrentes (desperdícios); estão indecisos; já são seus (mais desperdícios). Sem dados precisos e quanto menos informações sobre seus eleitores e seus concorrentes, um candidato tiver, maior será a dispersão dos seus recursos. A vitória nestes casos vem por um fator local, mobilização partidária e ou da virtude políticas do candidato. Na era do marketing eleitoral, poucas campanhas feitas no modelo tradicional tem alcançado sucesso, se são vitoriosas gasta-se , na maioria das vezes, o dobro dos recursos necessários.

O surgimento de alguns elementos determinantes como a evolução social, o conflito de interesses, as pressões sociais, a quantidade de candidatos, a segmentação, fizeram com que as campanhas políticas incorporassem avanços da tecnologia de marketing político e assim se modernizassem no estilo e formato de se fazer politica eleitoral. A partir dos anos 80 o Brasil entrou num processo de transição do modelo tradicional para o modelo moderno de fazer campanha. O pais aprendeu a fazer campanha politica eleitoral utilizando as modernas técnicas de marketing, com estruturas operativas enxutas e profissionalizadas. A força do conteúdo, o conceito do candidato, linguagem mais direta, arte e talento ganharam relevância na estratégia de comunicação. Consequentemente campanhas mais curtas e objetivas, menos onerosas e com boa equação custo/beneficio.

A título de exemplo e para ser bem objetivo sobre o processo de transição do modelo de campanha politica tradicional para o moderno eu vou transcrever um trecho do especialista em marketing político Francisco Ferraz: “A campanha eleitoral de Collor é até hoje um exemplo emblemático de uma campanha moderna, na qual todos os recursos do marketing político foram usados, para lograr uma vitória que, por todos os parâmetros habituais da politica brasileira, seria impossível. 

Tornar conhecido nacionalmente e eleger Presidente da Republica um jovem de 40 anos, governador de um dos menores estados do país, pertencendo a um partido praticamente inexistente do ponto de vista político, sem apoio de governadores estaduais(no primeiro turno), competindo contra candidatos que possuíam todos os atributos, pareceu um milagre.” Collor adotou o modelo moderno de fazer campanha utilizando-se de pesquisas, estratégias e publicidades, que constituem a receita de sucesso de uma campanha eleitoral nos dias de hoje. Campanha política não é para amadores, ou você se profissionaliza ou vai amargar uma derrota frustrante.

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